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A transformação nas plataformas de comunicação é uma realidade intransponível para todas as pessoas. Conviver com o digital é imperativo e independe de faixa etária, classe social e até mesmo vontade.

A maioria das “invenções” formuladas a partir da internet é uma representação “abstrata” de ferramentas e processos da nossa realidade. Os sites, por exemplo, em português (de Portugal) são sítios, uma expressão imaginária de um local. Já os e-mails foram concebidos para serem nossos endereços, enquanto os blogs surgiram no formato de diário e os fotologs foram por muito tempo verdadeiros álbuns de recordações fotográficas.

Esta semana voltando para casa no Metropolitano de Lisboa vi uma senhora de uns 60 e alguns anos a correr seus olhos pelo Kindle para ler, enquanto uma jovem com uns 20 e poucos segurava um exemplar de um livro físico. Esse fato demonstra claramente o potencial das novas tecnologias ganharem espaço na nossa vida, mas, sobretudo também revela que há um limite para a hegemonia digital.

Nos anos 60, ao cunhar a expressão “o meio é mensagem” no seu livro “Os meios de comunicação como extensões do homem”, o sociólogo canadense Marshall McLuhan já sinalizava como a experiência de comunicação é modificada através do suporte mediador do processo. Hoje, mesmo com a “evolução” constante dos meios, que muitas vezes implica no enfraquecimento de velhos modelos (como é o caso do jornal impresso), ainda não é possível visualizar uma completa substituição. Afinal, determinadas sensações parecem ser apenas obtidas através de certas práticas específicas, que envolvem sentidos que a experiência digital não consegue proporcionar.

Um Kindle, por mais prático que possa ser, jamais poderá oferecer a sensação do toque ao passar as páginas, o cheiro do papel recém-impresso. Sentidos que evocam outros que aparentemente não são usados, mas que estão indiretamente atrelados à experiência de leitura.

Outro exemplo desse fenômeno de resistência e, algumas vezes, até retorno a práticas tradicionais é o resgate do vinil na atualidade. Após a ascensão e decadência do CD, e a supremacia do formato MP3, o velho LP (long-play) volta à cena revitalizando o significado do álbum musical como obra fonográfica (sentido perdido com a digitalização da música a partir de algumas décadas atrás).

Kindle, livro, jornal. iPod, MP3, vinil. Conceitos do presente (quiçá do futuro) e também do passado. Objetos tecnológicos e também históricos. Entretanto, todos podem conviver no mesmo tempo e espaço. A tecnologia é mandatória, fato. Mas jamais será capaz de “canibalizar” todos os aspectos e preferências da nossa vida.

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