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Seach Engine Optimization ou otimização para mecanismos de busca, em português. À primeira vista parece um procedimento complexo de codificação, uma combinação engenhosa de bits, bytes e outras linguagens que os seres humanos comuns, que apenas abrem o navegador e digitam www.google.com, não conhecem.

Para completar, ainda existe uma série de agências e profissionais de marketing digital dedicados a melhorar o posicionamento de sites nos resultados gratuitos dos motores de busca. O processo sempre é descrito de forma muito genérica e o cliente pouco consegue visualizar como de fato acontece.

A SEO surgiu em meados da década de 90 através de critérios que parecem simples: o endereço do site era enviado para os sistemas de busca que através de programas mapeavam o conteúdo e armazenavam as informações. Ou seja: a importância maior de uma página em detrimento da outra estava na combinação de palavras, as keywords (palavras-chave).

É claro que de lá para cá muitos métodos, técnicas e sistemas já avançaram, há diversos parâmetros que também influenciam na localização de um site nas pesquisas, mas a essência ainda é o fato de que “o conteúdo é o rei”. E, exatamente por este motivo é que as relações públicas “versão 2.0” – a atuação profissional inserida no panorama da internet – são fundamentais para construir e desenvolver o conceito de uma organização e melhorar o seu alcance.

Enquanto um consultor de SEO avalia e aperfeiçoa a estrutura de um site – corrigindo meta tags, arquitetura da informação e códigos –, um RP é quem tem o conhecimento dos públicos, a capacidade de criar conteúdo direcionado, de qualidade e acessível. Ao fim e ao cabo é um esforço conjunto baseado na chamada pirâmide PTT:

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A otimização de um site para figurar entre os primeiros colocados numa busca exige conhecimento, tecnologia e trabalho constante. É uma atividade realizada através de um aprendizado recorrente ao longo do tempo para que se percebam as dinâmicas e fatores técnicos que podem influenciar.

De uma forma mais específica, consiste num procedimento baseado nos objetivos da organização e operacionalizado através de um planejamento para definir critérios como: estratégia de otimização, análise do setor, qualidade técnica, melhorias prioritárias, prazos possíveis e responsáveis pelas ações.

É uma operação que demanda investimento do ponto de vista de recursos humanos e de ferramentas profissionais para um gerenciamento mais completo. Porém, após esta etapa, a manutenção do resultado não requer altos custos, afinal, o site figura entre os primeiros por 24 horas diariamente de forma gratuita. Isso ocorre porque a cada ganho de posição, o custo-benefício na área de SEO aumenta, pois essa conquista garante um efeito mais duradouro.

Passados esses passos, a continuidade do sucesso depende da análise de resultados, monitoramento e medição. É preciso verificar o desempenho que as keywords estão obtendo a fim de corrigir aquelas que não estão atingindo o resultado, e até delinear de novas ações e metas.

Mais uma vez, a atuação do RP se destaca, pois isto é um processo essencialmente estratégico sobre a qualidade e direcionamento de conteúdos alinhados com a relevância que a organização pode obter dentro da área em que está inserida. Dependendo da abrangência do setor, não é viável o destaque através de termos amplos e genéricos. Cabe, então, ao RP identificar uma especificidade que pode oferecer mais notoriedade.

Okay. Resumindo: parece que é tudo sobre conteúdo e desempenho conjunto de profissionais de SEO e RP (além de alguns outros) no processo de concepção e otimização de um site. Mas, sejamos francos: este é um cenário ideal – e, na maioria das vezes, impossível.

Existem muitos obstáculos operacionais para empreender, principalmente do ponto de vista financeiro, então é preciso buscar alternativas para avançar com um projeto. A Google também sabe disso, e oferece uma série de ferramentas gratuitas que possibilitam o desenvolvimento de uma comunicação efetiva, através de dados, pesquisas e recursos.

Google: Search, Analytics, Customer Journey, Consumer Barometer, Trends. Faça como o site sugere: pense com Google. Afinal, como já foi dito antes neste blog numa reflexão sobre o que o Google fez pelas Relações Públicas, vemos só a ponta do iceberg.

Se você quer começar a olhar além sobre SEO, não perca esta consultoria com a Maile Ohye, diretora tecnológica de programas para desenvolvedores da Google. (Ela tem muito mais propriedade para falar sobre o assunto do que eu – risos). Enjoy it!  🙂

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Na primeira aula da cadeira “Estratégias de Comunicação Digital” do Mestrado em Gestão Estratégica das Relações Públicas – razão da existência deste blog, diga-se de passagem –, o professor Nuno pediu que todo e qualquer contato fosse feito através do Facebook. Segundo ele, o e-mail estava a “morrer”. Há dois meses que continuo refletindo sobre tal afirmação, principalmente considerando os seguintes fatos: faço parte da geração que acompanhou a computação e a Internet da época dos trabalhos cujos títulos eram feitos com WordArt, que jogava Campo Minado e Pinball, que conectava-se através do telefone (a famigerada rede discada), que entrava em salas de bate-papo e lia e-mails. De toda esta rotina “tecnológica” do final da década de 90 e início dos anos 2000, o único procedimento que vem se repetindo até então é a checagem da minha caixa de entrada. Todos os outros atos foram substituídos por novos formatos mais modernos e “multi-interativos” (com uma série de funcionalidades).

As redes sociais são a expressão mais latente deste processo, e o Facebook – esse gigante tanto em dimensão online, quanto social e também econômica – já é capaz de substituir o “velho” e-mail na função contactar as pessoas, enviar mensagens, anexos, fazer login em outros sites e muito mais. Mas, então, porque continuo com o hábito de acessá-lo diariamente e ainda utilizá-lo com frequência? Pois bem, por mais que sejamos todos online (assunto de outro post), e isto implicar na constante evolução dos nossos meios e práticas, algumas ferramentas trazem consigo conceitos mais consolidados e que consideramos mais funcionais devido à simplicidade com que se constituem. Basta experimentar buscar um anexo enviado num grupo de mensagens privadas no Facebook para instantaneamente o sujeito perceber como a tarefa torna-se mais complexa do que a pesquisa no próprio e-mail. Outro ponto que pode ser destacado é a aura de correio eletrônico, de simulacro das nossas caixas de correspondências, que lhe conferem um sentido mais formal.

Talvez o e-mail seja uma dos poucos instrumentos que se mantém praticamente nos mesmos moldes de outrora, principalmente no que diz respeito ao uso privado, dispensando o conceito participativo. A ideia de Web 2.0, concepção de Tim O’Reilly em 2004 para designar a internet no modelo que conhecemos hoje em dia, surge em consonância com esse fenômeno, em que pouco a pouco a maioria das ferramentas já se desenvolviam no sentido de ultrapassar a esfera privada em que estávamos habituados a viver. As nossas relações com procedimentos e sistemas simples do mundo offline, quando transpostos para o online, passaram por uma adaptação que a rede mundial de computados demandava. Como cita o caderno Among The Audience” do jornal The Economist:

Espreitar o diário de uma irmã mais velha normalmente leva a uma escaramuça. Os blogs, por outro lado, são sociais por natureza, sejam eles abertos ao público como um todo ou apenas a um pequeno grupo seleto.

A partir de então, o indivíduo já não mais fazia parte apenas do seu grupo social, até o momento, bastante atrelado ao espaço físico em que se inseria. Esta nova conexão, para além do seu sentido denotativo, exigia um “enlace ou vínculo entre pessoas ou entidades” que ultrapassasse as barreiras e colocasse em vista o real sentido da globalização na sua forma mais ampla e grandiosa possível.

Os blogs surgiram como uma expressão particular do usuário, com uma proposta de autoconstrução de conteúdo constante. Hoje, podemos dizer que ultrapassaram o seu termo inicial para se tornarem o cerne de praticamente toda forma de intervenção na era da Internet. Vivemos numa versão beta perpétua – versão de um produto (geralmente software) que ainda se encontra em fase de desenvolvimento e testes e são disponibilizados para que os usuários possam testar e eventualmente, reportar bugs para os desenvolvedores. Tanto nós, seres humanos, quanto os produtos e serviços que consumimos (e também criamos) estão constantemente passando por processos de mudanças, sendo adaptados conforme o uso. As modificações recorrentes nas dinâmicas sociais demandam uma alteração frequente de plataformas, canais e métodos.

Closeup of business woman hand typing on laptop keyboard

Processos que eram estáticos e unidirecionais passaram a funcionar em múltiplas direções, e a construção de conteúdo e informação jornalística é uma expressão significante desta nova dinâmica chamada jornalismo social, cujos princípios continuam a mover pessoas e corporações. O site Blasting News, em operação pelo mundo desde 2013, é um importante exemplo contemporâneo. Esta “revista” online funciona da seguinte forma: colaboradores enviam suas matérias e reportagens e uma curadoria de editores remotos e de máquinas com tecnologia de entendimento de conteúdo filtram o que deve ou não ser publicado. O autor do material selecionado ainda é remunerado devido à quantidade de visualizações que o seu conteúdo recebe – um pagamento que advém da publicidade apresentada nas páginas.

O público tem poder, pessoas comuns podem operar, mas há um preço a se pagar e a convergência, que possibilita a convivência mútua dos meios tradicionais e digitais, pode ser a única forma de manter o sistema em andamento. A produção de conteúdo alternativa, feita de forma amadora pelo consumidor significa uma alteração radical na dinâmica profissional do processo jornalístico. O cidadão não tem acesso a técnicas e práticas específicas necessárias – jamais saberão conceitos como lead ou critérios de noticiabilidade. Mas, podem atuar como jornalistas e muitas corporações dispensam profissionais devido à otimização dos recursos financeiros que este modelo oferece. Por isto, a qualidade do produto final é questionável, pois falta a aplicação de técnicas e práticas básicas exigíveis, que atribuem valor-notícia e que garantem credibilidade. Os veículos de comunicação de massa complementam esse sistema por ainda serem responsáveis por legitimar uma notícia, de representarem a versão oficial e confiável. No mundo instantâneo em que vivemos, onde as informações são veiculadas em redes sociais e replicadas automaticamente de forma indistinta para o mundo, a verificação com fontes credíveis – princípio jornalístico básico – é esquecida pelos produtores amadores (e toda gente sabe disto), enquanto nas redações tradicionais é ideal primário da concepção de uma reportagem.

O autor Philip Meyer diz em seu livro The Vanishing Newspaper que o último leitor irá reciclar o último jornal em 2040 – ou seja, daqui há 24 anos. De fato, acredito muito nesta insustentabilidade do meio impresso, sobretudo quando há uma série de fatores que corroboram, como a questão da diminuição da rentabilidade em publicidade, dos altos custos operacionais, sem contar o próprio argumento ambiental e a evolução tecnológica. Mas entre a dimensão tátil do jornalismo e o seu compromisso social existe uma função que se mantém, porque nada mais é do que a institucionalização, passível de verificação e ordenamento, da mais antiga necessidade humana: o saber.

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A virada do século XXI já anunciava que relações cada vez mais complexas estavam por vir. O bug do milênio foi, talvez, o ponto de partida para evidenciar o quanto a tecnologia já impactava a nossa vida. Mas a questão estava além dos hardwares e softwares necessários para o funcionamento do nosso mundo online…

Pouco a pouco, do ano 2000 (e até mesmo antes) aos dias de hoje, vimos os avanços tecnológicos transcenderem a esfera intangível e atingirem as nossas relações sociais mais simples. Mudamos os nossos comportamentos, relacionamentos, hábitos, consumos, ideias.

Adquirimos novos conhecimentos e, consequentemente, novas aspirações. Já não estamos mais satisfeitos em sermos espectadores do show da vida. Queremos o protagonismo! E as plataformas e instrumentos possíveis através da internet nos deram ferramentas para construir um novo mundo.

No contexto tecnológico e interativo em que passamos a viver, a informação começou a fluir em diversos sentidos, cada vez mais rapidamente. Assim, os modelos tradicionais de comunicação, que praticamente seguiram sempre o mesmo formato – pouco surpreendendo e se modificando – já não satisfaziam mais e tornaram-se deficientes em cumprir o seu papel social.

Desta forma, pode-se dizer que as mudanças nos meios foram proporcionadas pela indústria diretamente pela “pressão” da sociedade. A era da convergência, onde, segundo Henry Jenkins, “a mídia corporativa e a mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis”, é a expressão dessa nova dinâmica.

Mass medias” e “new medias” convivem simultaneamente, proporcionando uma rede maior de informações, onde o conteúdo não se limita a um espaço ou formato. A própria audiência conquistou autonomia e capacidade para alimentar os espaços online (e também off-line) com um conteúdo que adquire notoriedade pelo caráter autônomo, independente e simplista com que se constrói.

Agora o que é capaz de chamar a atenção de um público e fidelizar determinada quantidade de espectadores é a inovação. Essa emergência, principalmente através dos jovens, fez surgir novas profissões, como bloggers e youtubers, que conseguem atingir até milhões de pessoas, e se tornam digital influencers.

De 2006 – ano da publicação do livro “Cultura da Convergência”, de Jenkins e “coincidentemente” de um artigo esclarecedor do portal “The Economist” sobre as mudanças profundas na indústria midiática e na sociedade como um todo – até hoje, já se passaram dez anos. Várias das questões levantadas continuam latentes, mas as dúvidas sobre como conviver com a cultura da participação – interação do público com a mídia – e a inteligência coletiva – que permite ao público a construção do conhecimento autossuficiente – já foram devidamente ajustadas.

A comunicação humana é um processo através do tempo, como caracteriza o artigo citado. Há sempre uma nova criação que modifica o sistema vigente, que retira os atores sociais das suas zonas de conforto e que ressignifica os papéis até então desempenhados.

Mais importante do que tentar questionar uma mudança em andamento, é estabelecer um diálogo entre os personagens enquanto se espera pelos próximos capítulos. Afinal, como diz a famosa música do grupo Queen: “the show must go on”.

Para uma marca ou organização estar em alguma rede social na internet é necessário ter um motivo que fundamente esta presença online. Antes de criar um perfil é preciso definir uma estratégia de posicionamento e ação para conduzir a produção de conteúdo e a interação com o público. Confira cinco boas práticas de comunicação digital que valem o seu clique para gostar, seguir e acompanhar.

PREFEITURA DE CURITIBA

Canal de comunicação: Facebook

Segmento: Governo

Inicialmente uma comunicação institucional de órgãos e entidades governamentais sugere um modelo “engessado”, formal e unidirecional. Mas, em se tratando de redes sociais, “representações dos atores sociais e de suas conexões”, é mandatório estabelecer uma interação em fluxos.

A Prefeitura de Curitiba é um verdadeiro case de sucesso no uso do Facebook e que inspirou outras páginas de diversos segmentos. A intenção da fan page é propiciar uma comunicação “entre a cidade e o cidadão e não entre políticos e eleitores”. Nesse sentido, a transparência é um ideal constante dos profissionais que administram a plataforma, que conseguem, através de uma linguagem simples e direta com doses de humor e criatividade, manter o caráter de serviço necessário.

Para se aproximar da comunidade, o discurso é humanizado, com uma diversidade de temas, formatos e ferramentas, além da rápida produção de conteúdos de oportunidade e artifícios próprios da internet, como os memes, que geram bastante engajamento e viralização de conteúdos. Todos esses fatores levaram à atribuição de uma personalidade à página, que ganhou o apelido carinhoso de “Prefs”.

O incentivo a participação do cidadão no desenvolvimento da cidade faz com que o espaço sirva como um meio de estabelecer uma conversa, de trocar de informações, receber de críticas, sugestões e reclamações. As iniciativas são tão diversas e enriquecedoras que outras páginas governamentais se inserem no contexto a fim de agregar e se relacionar com os valores propagados pela “Prefs”.

Foi o caso do “Casamento Vermelho”, uma postagem com referência ao hype da série Game of Thrones, que juntamente com a fan page da Prefeitura do Rio de Janeiro, após diversas interações, lançaram uma campanha de doação de sangue através da celebração de casamento fictícia entre as duas prefeituras. Segundo dados da Prefeitura de Curitiba, a doação nos hemocentros foi triplicada naquele dia.

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SENADO FEDERAL

Canal de comunicação: Facebook

Segmento: Governo

A página do Senado Federal possui uma abordagem diferente do exemplo anterior, centrando-se no compromisso e função social do órgão para com o povo. O foco do conteúdo são os projetos, debates, votações e atividades institucionais da Casa, além de informações sobre temas relacionados à vida das pessoas, como questões de cidadania e direitos em geral.

Dispensa-se o tom descontraído e “brincalhão” para dar lugar a uma linguagem direta, simples e de fácil entendimento. O trabalho da equipe de gestão está centrado justamente em adaptar a linguagem formal e complexa do Senado para que seja acessível a todos.

O sucesso das publicações, que geralmente utilizam o formato de “card” com informações textuais dispostas num modelo de título, texto curto e imagem ilustrativa, é obtido através da qualidade do conteúdo que resulta num bom engajamento orgânico.

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Em agosto do ano passado, a fan page conquistou o posto de primeiro lugar no mundo em repercussão, ficando à frente de grandes perfis de relevância global, como a NASA e a Casa Branca.

O “segredo” para o feito está na publicação de informações que geram interesse geral e promovem debates. Além disto, os assuntos são relacionados a conteúdos que estão em projeção nas redes sociais, na mídia e na sociedade em geral. A função da página é basicamente oferecer uma plataforma em que as pessoas possam externar suas opiniões livremente e acompanhar a interação como um observador que se faz presente apenas quando necessário para advertir os usuários que não respeitam a política de uso da fan page.

ACM NETO

Canal de Comunicação: Instagram

Segmento: Política

Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, ou ACM Neto, como é conhecido, é um político baiano de 37 anos que assumiu a Prefeitura da cidade de Salvador (capital da Bahia) em 2013. Desde então é o prefeito mais bem avaliado do Brasil, com uma aprovação de mais de 70% da população soteropolitana.

Entre as presenças de políticos em redes sociais, ACM Neto se destaca com os seus perfis sempre atualizados com conteúdos que retratam tanto os seus feitos profissionais, quanto momentos pessoais. Essa dualidade que se complementa, aliada ao tom informal da comunicação vem garantindo uma simpatia do grande público, que a princípio não se interessa pelas questões e figuras políticas.

No Instagram, os cliques divulgados mesclam fotografias profissionais em situações descontraídas, manifestações de carinho e apoio recebidas, fotos caseiras com a família, amigos e personalidades, montagens de obras e intervenções realizadas, além de outros conteúdos. Todas as imagens são acompanhadas de um texto leve e direto, com a utilização de tons e expressões regionais, que demonstram bom humor.

Nas postagens também não faltam hashtags, nem recursos próprios da rede social, como por exemplo, a criação de uma InstaSérie (#NetinhodeRolé, uma campanha que apresenta de forma lúdica as realizações da gestão) e a utilização de aplicações complementares (Prisma, Boomerang, etc).

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ACM Neto é jovem e incorpora muito facilmente o prefeito descolado e irreverente, que valoriza a documentação do seu dia-a-dia e suas interações com o povo, por isto o conteúdo tem um cunho natural e autoral.

Uma das postagens que repercutiu para além do Instagram e ganhou espaço nos veículos de comunicação diz respeito a um episódio em que a sola de um sapato que usava descolou em um dia de trabalho externo visitando a cidade no início deste ano.

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A situação serviu de mote após vencer a eleição em outubro quando disse aos seus secretários: “Reforcem a sola dos seus sapatos porque vamos voltar a andar muito por todos os cantos de Salvador”.

NETFLIX BRASIL

Canal de comunicação: Facebook

Segmento: Entretenimento

Alimentar uma rede social de uma empresa provedora de milhares de filmes, séries e programas para exibição em streaming implica possuir milhões de assuntos que podem ser abordados juntamente com o público. Afinal, a indústria do entretenimento é acessível à toda gente, pois desperta interesse naturalmente. Por isso, a Netflix escolheu uma abordagem que valoriza o relacionamento interativo com os clientes como elemento de branding e posicionamento de marca.

As postagens são realizadas majoritariamente através de recursos multimídia (vídeos, fotos, gifs) extraídos de conteúdos do seu catálogo. Além da vertente informacional e promocional, o Facebook também é utilizado como SAC – Serviço de Atendimento ao Cliente. Entretanto, diferentemente do modelo tradicional, a empresa adota uma postura descontraída no tratamento das dúvidas e sugestões, o que acaba por propiciar uma interação divertida para os usuários.

Aliás, o humor aliado a conteúdos de oportunidade parece ser a chave para a página ter destaque e produzir postagens rapidamente viralizadas. Em meio à instabilidade política brasileira, a Netflix viu uma ocasião favorável para promover a estreia da sua série exclusiva House of Cards, um drama político sobre as consequências do poder e da corrupção.

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Nem a concorrência escapa das “brincadeiras” da empresa que, em pleno 1º de Abril, data considerada o dia da mentira no país, e famosa pelas pegadinhas geradas, causou o maior burburinho entre os seriemaníacos ao promover a estreia de #GoT no catálogo. Os usuários logo relacionaram a sigla ao famoso seriado do canal HBO, Game of Thrones, mas tudo não passou de uma “trolagem”, que foi levada com muito bom humor por todos os envolvidos, inclusive a própria HBO.

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PORTA DOS FUNDOS

Canal de comunicação: YouTube

Segmento: Entretenimento

O coletivo de humor Porta dos Fundos entrou no YouTube em 2012 com uma proposta completamente livre e aberta para proporcionar boas risadas. A internet é um espaço público, sem regras muito definidas e procedimentos comerciais, o que ofereceu ao grupo a oportunidade de criar conteúdo sem limites quanto ao tema ou formato.

Entre os 30 vídeos mais populares dos mais de 1.500 já publicados, destaca-se o “XUXA MENEGHEL”. O esquete com o nome da artista brasileira de grande sucesso no país é o único com apenas de meses de publicação que faz parte da lista.

O vídeo tomou conta de outras redes sociais e trouxe visibilidade à apresentadora após a troca de emissora de televisão, da hegemônica Rede Globo para o império em ascensão da Rede Record. Foi uma promoção do seu novo programa através de uma série de piadas com a situação desfavorável e com os formatos dos programas televisivos de finais de semana.

O cenário parecia ser todo errado, mas deu muito certo. Xuxa imperou na internet, na mídia, nas conversas. A ação trouxe mais atenção do que todas as outras intervenções de comunicação tradicionais e agregou valor tanto para a apresentadora como para o Porta dos Fundos.

Esta forma criativa que o grupo encontra de fazer merchandising, aliás, já foi aproveitada por diversas empresas que acreditam na potencialidade de transformar os seus aspectos negativos em oportunidade para estabelecer uma relação de transparência e comunicação com os seus clientes e consumidores. O case mais famoso é da rede de restaurantes brasileira Spoleto.

Ele é o “Deus” da internet. A entidade para a qual nos dirigimos a fim de sanar todas as nossas dúvidas, consultar sobre os mais diversos assuntos, ter respostas de maneira mais rápida. O Google foi lançado em 1998, mas a geração que nasceu nos anos 90 praticamente não conhece a vida sem ele. E mesmo quem viveu antes, hoje já não imagina como poderia ser.

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Esta “simples’ ferramenta de busca tem por trás diversas outras utilidades e não funciona apenas para consultar informações. Assim como muitas pessoas, profissionais de comunicação também desconhecem a infinidade de serviços que a empresa possui. Você está incluído neste grupo? Pois saiba que está perdendo muitas oportunidades de otimizar as suas estratégias no ambiente online.

Publicidade, motor de busca, ferramentas de produtividade, produtos corporativos e muitos outros fazem parte do enorme leque da Google. E isso é só a ponta do “iceberg”, cuja grandiosidade pode ajudar uma organização a monitorar a sua imagem e evitar crises, se houver conhecimento e aproveitamento da sua usabilidade.

A Google revolucionou a internet e o mercado, mas principalmente a comunicação. A informação é a sua matéria-prima base, e se hoje ele possui este poder supremo é porque cada um de nós o alimentou com os nossos próprios dados (e estamos sempre o retroalimentando). Por isso que, além de ser uma empresa poderosa por si só (o maior conglomerado de mídia do mundo), a Google tem também a capacidade de oferecer poder para todas as organizações.

O que o Google fez pelas Relações Públicas?

A pergunta de Andrew Smith, no capítulo 3 do livro “Share This – The Social Media Handbook for PR Professionals”, convida à uma reflexão não apenas sobre como o advento da Google impactou no trabalho de RP dentro das organizações, mas sobretudo como a profissão teve sua atuação ampliada à medida que a tecnologia foi ganhando cada vez mais espaço na nossa vida.

Para o autor, o espaço do profissional do RP esteve, e ainda está, diretamente ligado à mídia, e questões como a geração de conteúdo atraente e envolvimento com o público não são o verdadeiro foco. Mas, veja bem: se tem uma coisa que a internet e as suas mais diversas plataformas e meios puderam fazer pela sociedade, foi justamente pulverizar a produção e transmissão de conteúdo em múltiplos sentidos.

O público cada vez mais se torna protagonista da mídia, seja por meio de uma atitude ativa mandatória acerca das suas preferências (determinando o que deseja e interessa), seja assumindo a responsabilidade de realização por si próprio (criando e publicando de forma alternativa). É o que Henry Jenkins, um dos pesquisadores dos meios de comunicação mais influentes da atualidade, chama de cultura de convergência na sua obra “Convergence Culture – Where Old and New Media Collide”.

Nessa conjuntura, o trabalho do profissional de Relações Públicas passou a ter uma abrangência muito maior, e se, algum dia o foco principal foi a mídia, a Google e todas as ferramentas que ele vem trazendo ao longo dos tempos fizeram repensar como gerir a reputação num ambiente altamente volátil e autônomo, onde todas as pessoas exercem um elevado nível de influência.

Blogs, mídias sociais e outras plataformas digitais fazem parte da nova cultura de comunicação que possibilitam que as organizações possam trabalhar diretamente com seus públicos, com o mínimo de interferências externas e compartilhando informações relevantes.

Além de possibilitar o exercício das Relações Públicas para além das relações com a imprensa, outra vantagem que as ferramentas da Google trouxe foi o exercício de um monitoramento com informações mais precisas e quantificadas. Afinal, a mensuração de resultados em Relações Públicas sempre foi uma tarefa árdua, pois a construção, promoção e preservação da imagem perante os públicos é algo completamente subjetivo.

Gerar interesse genuíno traz mais resultados do que “forçar’ a aparição da marca/organização para o público. Porém, quando se trata, por exemplo, de Google Search e Search Engine Optimisation (SEO), pode-se dizer que esta presença, apesar de não solicitada diretamente e nominalmente, ocorre após uma iniciativa própria do usuário. É uma oportunidade para se mostrar e criar valor para a marca/organização. E isto pode ser obtido através de dados dos próprios usuários, que fornecem informações relevantes à medida que utiliza o Google espontaneamente.

Então, o que a Google essencialmente fez pelas Relações Públicas foi exatamente fornecer material de trabalho para os profissionais dentro de uma nova realidade, foi estender os seus limites da atuação, integrá-las e torná-las cada vez mais significativas no mundo corporativo.

Existe uma série de frases que refletem sobre a brevidade da vida, que dizem como o tempo passa rápido e o quanto temos que aproveitar cada momento. Atualmente (não sei especificar exatamente desde quando), não basta viver apenas, tem que se mostrar cada instante que se vive. É preciso registrar, “publicizar” e, principalmente, que as pessoas interajam com você.

Tenho um amigo psicólogo cujo paciente viajou para conhecer uma cidade, mas no primeiro dia não conseguiu internet para poder publicar as fotos no Instagram. O sujeito ficou bastante incomodado. Confessou para o meu amigo que até ele conseguir divulgar um registro da viagem sentia como se não estivesse saído de sua própria casa.

Se as mídias sociais já são capazes de alterar a forma como agimos com si próprios, imagina o quanto tem interferido nas nossas mais diversas relações com o mundo?

Para este bebê de um ano de idade, uma revista parece um iPad que não funciona. A descrição do vídeo diz que ele mostra como as revistas são inúteis agora e impossíveis de serem compreendidas pelas pessoas que são nativamente digitais.

Nas décadas de 80 e 90 do final do século passado, as revistas voltadas para a cobertura do mundo das celebridades e da televisão eram um sucesso absoluto no mercado editorial brasileiro, afinal, a construção da fama acontecia a partir dos veículos de comunicação de massa. Hoje em dia as celebridades estão em praticamente todas as mídias sociais, produzindo suas próprias notícias, transformando as vidas pessoais em espaços para publicidade.

Antes a versão oficial era publicada pela mídia. Agora as mensagens dispensam o tratamento profissional jornalístico e são distribuídas pelos próprios personagens da história. E mesmo quando há a presença de um profissional de comunicação na gestão das redes, a intenção é que a comunicação seja estabelecida de forma pessoal a fim de que a audiência tenha o sentimento de intimidade e confiança com a personalidade.

O Twitter é uma dessas plataformas de interação que proporciona um espaço democrático para expressão, debate e engajamento do público. O documentário Project #LIVE – Twitter oferece uma visão da abrangência da rede e da sua capacidade de conectar pessoas completamente diferentes e desconhecidas entre si em torno de um assunto comum.

Em abril de 2014, após o jogador de futebol brasileiro Daniel Alves sofrer um ataque racista em que um torcedor atirou uma banana ao campo no jogo Barcelona X Villareal, o craque Neymar instantaneamente em solidariedade ao companheiro publicou uma fotografia com o filho em seu Twitter acompanhada da hashtag #SomosTodosMacacos. Imediatamente a atitude e a hashtag ganharam o apoio de vários famosos influentes, além de outros usuários “comuns” que se engajaram na campanha contra o racismo.

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Que a causa era nobre e legítima, não há dúvidas. Mas a verdade por trás da atitude de Neymar era que uma das maiores agências de publicidade do Brasil tinha sido a mente que concebeu a campanha (que já estava pronta, apenas aguardando uma oportunidade para ser lançada).

Todos os dias milhares de pessoas sofrem racismo. Nas partidas de futebol dos campeonatos europeus, os jogadores afrodescendentes assistem a esses tipos de manifestações dentro e fora do campo. Ninguém (ou quase ninguém) jamais foi capaz de sensibilizar tanta gente.

Bastou uma ideia, uma foto “caseira”, uma pessoa e uma “rede social” para que outras milhões colocassem o assunto na mesa para debate – dentro e fora da internet. A campanha repercutiu entre os usuários do Twitter, foi para o Facebook, ganhou as páginas dos jornais, apareceu na tela da televisão, foi vista por todo um país. Por mais que um indivíduo estivesse off-line, a força da internet e sua capacidade atingir tudo e todos é uma prova que independente de vontade #SomosTodosOnline.

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A transformação nas plataformas de comunicação é uma realidade intransponível para todas as pessoas. Conviver com o digital é imperativo e independe de faixa etária, classe social e até mesmo vontade.

A maioria das “invenções” formuladas a partir da internet é uma representação “abstrata” de ferramentas e processos da nossa realidade. Os sites, por exemplo, em português (de Portugal) são sítios, uma expressão imaginária de um local. Já os e-mails foram concebidos para serem nossos endereços, enquanto os blogs surgiram no formato de diário e os fotologs foram por muito tempo verdadeiros álbuns de recordações fotográficas.

Esta semana voltando para casa no Metropolitano de Lisboa vi uma senhora de uns 60 e alguns anos a correr seus olhos pelo Kindle para ler, enquanto uma jovem com uns 20 e poucos segurava um exemplar de um livro físico. Esse fato demonstra claramente o potencial das novas tecnologias ganharem espaço na nossa vida, mas, sobretudo também revela que há um limite para a hegemonia digital.

Nos anos 60, ao cunhar a expressão “o meio é mensagem” no seu livro “Os meios de comunicação como extensões do homem”, o sociólogo canadense Marshall McLuhan já sinalizava como a experiência de comunicação é modificada através do suporte mediador do processo. Hoje, mesmo com a “evolução” constante dos meios, que muitas vezes implica no enfraquecimento de velhos modelos (como é o caso do jornal impresso), ainda não é possível visualizar uma completa substituição. Afinal, determinadas sensações parecem ser apenas obtidas através de certas práticas específicas, que envolvem sentidos que a experiência digital não consegue proporcionar.

Um Kindle, por mais prático que possa ser, jamais poderá oferecer a sensação do toque ao passar as páginas, o cheiro do papel recém-impresso. Sentidos que evocam outros que aparentemente não são usados, mas que estão indiretamente atrelados à experiência de leitura.

Outro exemplo desse fenômeno de resistência e, algumas vezes, até retorno a práticas tradicionais é o resgate do vinil na atualidade. Após a ascensão e decadência do CD, e a supremacia do formato MP3, o velho LP (long-play) volta à cena revitalizando o significado do álbum musical como obra fonográfica (sentido perdido com a digitalização da música a partir de algumas décadas atrás).

Kindle, livro, jornal. iPod, MP3, vinil. Conceitos do presente (quiçá do futuro) e também do passado. Objetos tecnológicos e também históricos. Entretanto, todos podem conviver no mesmo tempo e espaço. A tecnologia é mandatória, fato. Mas jamais será capaz de “canibalizar” todos os aspectos e preferências da nossa vida.