Arquivo de novembro, 2016

convergencia

A virada do século XXI já anunciava que relações cada vez mais complexas estavam por vir. O bug do milênio foi, talvez, o ponto de partida para evidenciar o quanto a tecnologia já impactava a nossa vida. Mas a questão estava além dos hardwares e softwares necessários para o funcionamento do nosso mundo online…

Pouco a pouco, do ano 2000 (e até mesmo antes) aos dias de hoje, vimos os avanços tecnológicos transcenderem a esfera intangível e atingirem as nossas relações sociais mais simples. Mudamos os nossos comportamentos, relacionamentos, hábitos, consumos, ideias.

Adquirimos novos conhecimentos e, consequentemente, novas aspirações. Já não estamos mais satisfeitos em sermos espectadores do show da vida. Queremos o protagonismo! E as plataformas e instrumentos possíveis através da internet nos deram ferramentas para construir um novo mundo.

No contexto tecnológico e interativo em que passamos a viver, a informação começou a fluir em diversos sentidos, cada vez mais rapidamente. Assim, os modelos tradicionais de comunicação, que praticamente seguiram sempre o mesmo formato – pouco surpreendendo e se modificando – já não satisfaziam mais e tornaram-se deficientes em cumprir o seu papel social.

Desta forma, pode-se dizer que as mudanças nos meios foram proporcionadas pela indústria diretamente pela “pressão” da sociedade. A era da convergência, onde, segundo Henry Jenkins, “a mídia corporativa e a mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis”, é a expressão dessa nova dinâmica.

Mass medias” e “new medias” convivem simultaneamente, proporcionando uma rede maior de informações, onde o conteúdo não se limita a um espaço ou formato. A própria audiência conquistou autonomia e capacidade para alimentar os espaços online (e também off-line) com um conteúdo que adquire notoriedade pelo caráter autônomo, independente e simplista com que se constrói.

Agora o que é capaz de chamar a atenção de um público e fidelizar determinada quantidade de espectadores é a inovação. Essa emergência, principalmente através dos jovens, fez surgir novas profissões, como bloggers e youtubers, que conseguem atingir até milhões de pessoas, e se tornam digital influencers.

De 2006 – ano da publicação do livro “Cultura da Convergência”, de Jenkins e “coincidentemente” de um artigo esclarecedor do portal “The Economist” sobre as mudanças profundas na indústria midiática e na sociedade como um todo – até hoje, já se passaram dez anos. Várias das questões levantadas continuam latentes, mas as dúvidas sobre como conviver com a cultura da participação – interação do público com a mídia – e a inteligência coletiva – que permite ao público a construção do conhecimento autossuficiente – já foram devidamente ajustadas.

A comunicação humana é um processo através do tempo, como caracteriza o artigo citado. Há sempre uma nova criação que modifica o sistema vigente, que retira os atores sociais das suas zonas de conforto e que ressignifica os papéis até então desempenhados.

Mais importante do que tentar questionar uma mudança em andamento, é estabelecer um diálogo entre os personagens enquanto se espera pelos próximos capítulos. Afinal, como diz a famosa música do grupo Queen: “the show must go on”.

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Para uma marca ou organização estar em alguma rede social na internet é necessário ter um motivo que fundamente esta presença online. Antes de criar um perfil é preciso definir uma estratégia de posicionamento e ação para conduzir a produção de conteúdo e a interação com o público. Confira cinco boas práticas de comunicação digital que valem o seu clique para gostar, seguir e acompanhar.

PREFEITURA DE CURITIBA

Canal de comunicação: Facebook

Segmento: Governo

Inicialmente uma comunicação institucional de órgãos e entidades governamentais sugere um modelo “engessado”, formal e unidirecional. Mas, em se tratando de redes sociais, “representações dos atores sociais e de suas conexões”, é mandatório estabelecer uma interação em fluxos.

A Prefeitura de Curitiba é um verdadeiro case de sucesso no uso do Facebook e que inspirou outras páginas de diversos segmentos. A intenção da fan page é propiciar uma comunicação “entre a cidade e o cidadão e não entre políticos e eleitores”. Nesse sentido, a transparência é um ideal constante dos profissionais que administram a plataforma, que conseguem, através de uma linguagem simples e direta com doses de humor e criatividade, manter o caráter de serviço necessário.

Para se aproximar da comunidade, o discurso é humanizado, com uma diversidade de temas, formatos e ferramentas, além da rápida produção de conteúdos de oportunidade e artifícios próprios da internet, como os memes, que geram bastante engajamento e viralização de conteúdos. Todos esses fatores levaram à atribuição de uma personalidade à página, que ganhou o apelido carinhoso de “Prefs”.

O incentivo a participação do cidadão no desenvolvimento da cidade faz com que o espaço sirva como um meio de estabelecer uma conversa, de trocar de informações, receber de críticas, sugestões e reclamações. As iniciativas são tão diversas e enriquecedoras que outras páginas governamentais se inserem no contexto a fim de agregar e se relacionar com os valores propagados pela “Prefs”.

Foi o caso do “Casamento Vermelho”, uma postagem com referência ao hype da série Game of Thrones, que juntamente com a fan page da Prefeitura do Rio de Janeiro, após diversas interações, lançaram uma campanha de doação de sangue através da celebração de casamento fictícia entre as duas prefeituras. Segundo dados da Prefeitura de Curitiba, a doação nos hemocentros foi triplicada naquele dia.

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SENADO FEDERAL

Canal de comunicação: Facebook

Segmento: Governo

A página do Senado Federal possui uma abordagem diferente do exemplo anterior, centrando-se no compromisso e função social do órgão para com o povo. O foco do conteúdo são os projetos, debates, votações e atividades institucionais da Casa, além de informações sobre temas relacionados à vida das pessoas, como questões de cidadania e direitos em geral.

Dispensa-se o tom descontraído e “brincalhão” para dar lugar a uma linguagem direta, simples e de fácil entendimento. O trabalho da equipe de gestão está centrado justamente em adaptar a linguagem formal e complexa do Senado para que seja acessível a todos.

O sucesso das publicações, que geralmente utilizam o formato de “card” com informações textuais dispostas num modelo de título, texto curto e imagem ilustrativa, é obtido através da qualidade do conteúdo que resulta num bom engajamento orgânico.

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Em agosto do ano passado, a fan page conquistou o posto de primeiro lugar no mundo em repercussão, ficando à frente de grandes perfis de relevância global, como a NASA e a Casa Branca.

O “segredo” para o feito está na publicação de informações que geram interesse geral e promovem debates. Além disto, os assuntos são relacionados a conteúdos que estão em projeção nas redes sociais, na mídia e na sociedade em geral. A função da página é basicamente oferecer uma plataforma em que as pessoas possam externar suas opiniões livremente e acompanhar a interação como um observador que se faz presente apenas quando necessário para advertir os usuários que não respeitam a política de uso da fan page.

ACM NETO

Canal de Comunicação: Instagram

Segmento: Política

Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, ou ACM Neto, como é conhecido, é um político baiano de 37 anos que assumiu a Prefeitura da cidade de Salvador (capital da Bahia) em 2013. Desde então é o prefeito mais bem avaliado do Brasil, com uma aprovação de mais de 70% da população soteropolitana.

Entre as presenças de políticos em redes sociais, ACM Neto se destaca com os seus perfis sempre atualizados com conteúdos que retratam tanto os seus feitos profissionais, quanto momentos pessoais. Essa dualidade que se complementa, aliada ao tom informal da comunicação vem garantindo uma simpatia do grande público, que a princípio não se interessa pelas questões e figuras políticas.

No Instagram, os cliques divulgados mesclam fotografias profissionais em situações descontraídas, manifestações de carinho e apoio recebidas, fotos caseiras com a família, amigos e personalidades, montagens de obras e intervenções realizadas, além de outros conteúdos. Todas as imagens são acompanhadas de um texto leve e direto, com a utilização de tons e expressões regionais, que demonstram bom humor.

Nas postagens também não faltam hashtags, nem recursos próprios da rede social, como por exemplo, a criação de uma InstaSérie (#NetinhodeRolé, uma campanha que apresenta de forma lúdica as realizações da gestão) e a utilização de aplicações complementares (Prisma, Boomerang, etc).

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ACM Neto é jovem e incorpora muito facilmente o prefeito descolado e irreverente, que valoriza a documentação do seu dia-a-dia e suas interações com o povo, por isto o conteúdo tem um cunho natural e autoral.

Uma das postagens que repercutiu para além do Instagram e ganhou espaço nos veículos de comunicação diz respeito a um episódio em que a sola de um sapato que usava descolou em um dia de trabalho externo visitando a cidade no início deste ano.

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A situação serviu de mote após vencer a eleição em outubro quando disse aos seus secretários: “Reforcem a sola dos seus sapatos porque vamos voltar a andar muito por todos os cantos de Salvador”.

NETFLIX BRASIL

Canal de comunicação: Facebook

Segmento: Entretenimento

Alimentar uma rede social de uma empresa provedora de milhares de filmes, séries e programas para exibição em streaming implica possuir milhões de assuntos que podem ser abordados juntamente com o público. Afinal, a indústria do entretenimento é acessível à toda gente, pois desperta interesse naturalmente. Por isso, a Netflix escolheu uma abordagem que valoriza o relacionamento interativo com os clientes como elemento de branding e posicionamento de marca.

As postagens são realizadas majoritariamente através de recursos multimídia (vídeos, fotos, gifs) extraídos de conteúdos do seu catálogo. Além da vertente informacional e promocional, o Facebook também é utilizado como SAC – Serviço de Atendimento ao Cliente. Entretanto, diferentemente do modelo tradicional, a empresa adota uma postura descontraída no tratamento das dúvidas e sugestões, o que acaba por propiciar uma interação divertida para os usuários.

Aliás, o humor aliado a conteúdos de oportunidade parece ser a chave para a página ter destaque e produzir postagens rapidamente viralizadas. Em meio à instabilidade política brasileira, a Netflix viu uma ocasião favorável para promover a estreia da sua série exclusiva House of Cards, um drama político sobre as consequências do poder e da corrupção.

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Nem a concorrência escapa das “brincadeiras” da empresa que, em pleno 1º de Abril, data considerada o dia da mentira no país, e famosa pelas pegadinhas geradas, causou o maior burburinho entre os seriemaníacos ao promover a estreia de #GoT no catálogo. Os usuários logo relacionaram a sigla ao famoso seriado do canal HBO, Game of Thrones, mas tudo não passou de uma “trolagem”, que foi levada com muito bom humor por todos os envolvidos, inclusive a própria HBO.

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PORTA DOS FUNDOS

Canal de comunicação: YouTube

Segmento: Entretenimento

O coletivo de humor Porta dos Fundos entrou no YouTube em 2012 com uma proposta completamente livre e aberta para proporcionar boas risadas. A internet é um espaço público, sem regras muito definidas e procedimentos comerciais, o que ofereceu ao grupo a oportunidade de criar conteúdo sem limites quanto ao tema ou formato.

Entre os 30 vídeos mais populares dos mais de 1.500 já publicados, destaca-se o “XUXA MENEGHEL”. O esquete com o nome da artista brasileira de grande sucesso no país é o único com apenas de meses de publicação que faz parte da lista.

O vídeo tomou conta de outras redes sociais e trouxe visibilidade à apresentadora após a troca de emissora de televisão, da hegemônica Rede Globo para o império em ascensão da Rede Record. Foi uma promoção do seu novo programa através de uma série de piadas com a situação desfavorável e com os formatos dos programas televisivos de finais de semana.

O cenário parecia ser todo errado, mas deu muito certo. Xuxa imperou na internet, na mídia, nas conversas. A ação trouxe mais atenção do que todas as outras intervenções de comunicação tradicionais e agregou valor tanto para a apresentadora como para o Porta dos Fundos.

Esta forma criativa que o grupo encontra de fazer merchandising, aliás, já foi aproveitada por diversas empresas que acreditam na potencialidade de transformar os seus aspectos negativos em oportunidade para estabelecer uma relação de transparência e comunicação com os seus clientes e consumidores. O case mais famoso é da rede de restaurantes brasileira Spoleto.

Ele é o “Deus” da internet. A entidade para a qual nos dirigimos a fim de sanar todas as nossas dúvidas, consultar sobre os mais diversos assuntos, ter respostas de maneira mais rápida. O Google foi lançado em 1998, mas a geração que nasceu nos anos 90 praticamente não conhece a vida sem ele. E mesmo quem viveu antes, hoje já não imagina como poderia ser.

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Esta “simples’ ferramenta de busca tem por trás diversas outras utilidades e não funciona apenas para consultar informações. Assim como muitas pessoas, profissionais de comunicação também desconhecem a infinidade de serviços que a empresa possui. Você está incluído neste grupo? Pois saiba que está perdendo muitas oportunidades de otimizar as suas estratégias no ambiente online.

Publicidade, motor de busca, ferramentas de produtividade, produtos corporativos e muitos outros fazem parte do enorme leque da Google. E isso é só a ponta do “iceberg”, cuja grandiosidade pode ajudar uma organização a monitorar a sua imagem e evitar crises, se houver conhecimento e aproveitamento da sua usabilidade.

A Google revolucionou a internet e o mercado, mas principalmente a comunicação. A informação é a sua matéria-prima base, e se hoje ele possui este poder supremo é porque cada um de nós o alimentou com os nossos próprios dados (e estamos sempre o retroalimentando). Por isso que, além de ser uma empresa poderosa por si só (o maior conglomerado de mídia do mundo), a Google tem também a capacidade de oferecer poder para todas as organizações.

O que o Google fez pelas Relações Públicas?

A pergunta de Andrew Smith, no capítulo 3 do livro “Share This – The Social Media Handbook for PR Professionals”, convida à uma reflexão não apenas sobre como o advento da Google impactou no trabalho de RP dentro das organizações, mas sobretudo como a profissão teve sua atuação ampliada à medida que a tecnologia foi ganhando cada vez mais espaço na nossa vida.

Para o autor, o espaço do profissional do RP esteve, e ainda está, diretamente ligado à mídia, e questões como a geração de conteúdo atraente e envolvimento com o público não são o verdadeiro foco. Mas, veja bem: se tem uma coisa que a internet e as suas mais diversas plataformas e meios puderam fazer pela sociedade, foi justamente pulverizar a produção e transmissão de conteúdo em múltiplos sentidos.

O público cada vez mais se torna protagonista da mídia, seja por meio de uma atitude ativa mandatória acerca das suas preferências (determinando o que deseja e interessa), seja assumindo a responsabilidade de realização por si próprio (criando e publicando de forma alternativa). É o que Henry Jenkins, um dos pesquisadores dos meios de comunicação mais influentes da atualidade, chama de cultura de convergência na sua obra “Convergence Culture – Where Old and New Media Collide”.

Nessa conjuntura, o trabalho do profissional de Relações Públicas passou a ter uma abrangência muito maior, e se, algum dia o foco principal foi a mídia, a Google e todas as ferramentas que ele vem trazendo ao longo dos tempos fizeram repensar como gerir a reputação num ambiente altamente volátil e autônomo, onde todas as pessoas exercem um elevado nível de influência.

Blogs, mídias sociais e outras plataformas digitais fazem parte da nova cultura de comunicação que possibilitam que as organizações possam trabalhar diretamente com seus públicos, com o mínimo de interferências externas e compartilhando informações relevantes.

Além de possibilitar o exercício das Relações Públicas para além das relações com a imprensa, outra vantagem que as ferramentas da Google trouxe foi o exercício de um monitoramento com informações mais precisas e quantificadas. Afinal, a mensuração de resultados em Relações Públicas sempre foi uma tarefa árdua, pois a construção, promoção e preservação da imagem perante os públicos é algo completamente subjetivo.

Gerar interesse genuíno traz mais resultados do que “forçar’ a aparição da marca/organização para o público. Porém, quando se trata, por exemplo, de Google Search e Search Engine Optimisation (SEO), pode-se dizer que esta presença, apesar de não solicitada diretamente e nominalmente, ocorre após uma iniciativa própria do usuário. É uma oportunidade para se mostrar e criar valor para a marca/organização. E isto pode ser obtido através de dados dos próprios usuários, que fornecem informações relevantes à medida que utiliza o Google espontaneamente.

Então, o que a Google essencialmente fez pelas Relações Públicas foi exatamente fornecer material de trabalho para os profissionais dentro de uma nova realidade, foi estender os seus limites da atuação, integrá-las e torná-las cada vez mais significativas no mundo corporativo.

Existe uma série de frases que refletem sobre a brevidade da vida, que dizem como o tempo passa rápido e o quanto temos que aproveitar cada momento. Atualmente (não sei especificar exatamente desde quando), não basta viver apenas, tem que se mostrar cada instante que se vive. É preciso registrar, “publicizar” e, principalmente, que as pessoas interajam com você.

Tenho um amigo psicólogo cujo paciente viajou para conhecer uma cidade, mas no primeiro dia não conseguiu internet para poder publicar as fotos no Instagram. O sujeito ficou bastante incomodado. Confessou para o meu amigo que até ele conseguir divulgar um registro da viagem sentia como se não estivesse saído de sua própria casa.

Se as mídias sociais já são capazes de alterar a forma como agimos com si próprios, imagina o quanto tem interferido nas nossas mais diversas relações com o mundo?

Para este bebê de um ano de idade, uma revista parece um iPad que não funciona. A descrição do vídeo diz que ele mostra como as revistas são inúteis agora e impossíveis de serem compreendidas pelas pessoas que são nativamente digitais.

Nas décadas de 80 e 90 do final do século passado, as revistas voltadas para a cobertura do mundo das celebridades e da televisão eram um sucesso absoluto no mercado editorial brasileiro, afinal, a construção da fama acontecia a partir dos veículos de comunicação de massa. Hoje em dia as celebridades estão em praticamente todas as mídias sociais, produzindo suas próprias notícias, transformando as vidas pessoais em espaços para publicidade.

Antes a versão oficial era publicada pela mídia. Agora as mensagens dispensam o tratamento profissional jornalístico e são distribuídas pelos próprios personagens da história. E mesmo quando há a presença de um profissional de comunicação na gestão das redes, a intenção é que a comunicação seja estabelecida de forma pessoal a fim de que a audiência tenha o sentimento de intimidade e confiança com a personalidade.

O Twitter é uma dessas plataformas de interação que proporciona um espaço democrático para expressão, debate e engajamento do público. O documentário Project #LIVE – Twitter oferece uma visão da abrangência da rede e da sua capacidade de conectar pessoas completamente diferentes e desconhecidas entre si em torno de um assunto comum.

Em abril de 2014, após o jogador de futebol brasileiro Daniel Alves sofrer um ataque racista em que um torcedor atirou uma banana ao campo no jogo Barcelona X Villareal, o craque Neymar instantaneamente em solidariedade ao companheiro publicou uma fotografia com o filho em seu Twitter acompanhada da hashtag #SomosTodosMacacos. Imediatamente a atitude e a hashtag ganharam o apoio de vários famosos influentes, além de outros usuários “comuns” que se engajaram na campanha contra o racismo.

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Que a causa era nobre e legítima, não há dúvidas. Mas a verdade por trás da atitude de Neymar era que uma das maiores agências de publicidade do Brasil tinha sido a mente que concebeu a campanha (que já estava pronta, apenas aguardando uma oportunidade para ser lançada).

Todos os dias milhares de pessoas sofrem racismo. Nas partidas de futebol dos campeonatos europeus, os jogadores afrodescendentes assistem a esses tipos de manifestações dentro e fora do campo. Ninguém (ou quase ninguém) jamais foi capaz de sensibilizar tanta gente.

Bastou uma ideia, uma foto “caseira”, uma pessoa e uma “rede social” para que outras milhões colocassem o assunto na mesa para debate – dentro e fora da internet. A campanha repercutiu entre os usuários do Twitter, foi para o Facebook, ganhou as páginas dos jornais, apareceu na tela da televisão, foi vista por todo um país. Por mais que um indivíduo estivesse off-line, a força da internet e sua capacidade atingir tudo e todos é uma prova que independente de vontade #SomosTodosOnline.